Vinicius de Moraes pronto!

Já falamos aqui sobre como as escolhas afetam os projetos arquitetônicos, e como é difícil reconstituir as decisões que levam à edificação ser o que ela é. Falamos há cerca de um mês sobre o Residencial bau727, e agora vamos falar um pouco sobre o Residencial Vinicius de Moraes, mais uma parceria da LP arquitetos com a CZ engenharia.

O residencial Vinicius de Moraes fica na Avenida Nossa Senhora das Dores, número 900, na rótula que liga a Avenida Nossa Senhora das Dores à Avenida João Luiz Pozzobon, e que tem a estátua do Idealista como marco. Foi o nosso maior projeto em metragem, possuindo mais de 11 mil metros quadrados, com 50 apartamentos, 78 vagas de garagens, e áreas comuns, distribuídas em 17 pavimentos acima do solo e 2 abaixo do solo. Foi um desafio e tanto!

Para explicar como ele ficou da maneira que foi construído, precisamos sempre começar pelo Plano Diretor, e já explicamos um pouco como o de Santa Maria funciona, aqui nesse post. Assim como o bau727, o Vinicius de Moraes está no “corredor de urbanidade”, ou seja, a zona que mais se pode construir na cidade. Além disso, por estar na Avenida Nossa Senhora das Dores, ele não tem recuo de ajardinamento – as vias coletoras e arteriais não possuem recuo de jardim, segundo o PDDUA -, o que cria um certo incentivo à ocupação até o pé da calçada, aumentando ainda mais o impacto do edifício na cidade.

Neste texto vamos relatar o processo de projeto como fizemos com o Bau727. Assim como este, o processo começou pelo padrão e tipos de apartamento, passando pelo conceito e chegando à concepção final do empreendimento. Claro que tudo é pensado junto com investidores e engenheiros, e as soluções saem quase que todas ao mesmo tempo.

Tipo de apartamento

O bairro Nossa Senhora das Dores é um bairro tradicional de Santa Maria, e junto com o Nossa Senhora de Lourdes, é um dos bairros mais nobres da região central. A nossa opção foi trabalhar com apartamentos do padrão do Monteiro Lobato, que são apartamentos de 135 m² com três suítes, e de 85 m² com dois dormitórios (1 suíte). Nos últimos pavimentos, as coberturas foram escalonadas, criando 6 apartamentos de metragens variadas, todos com terraço e espera para o ofurô, totalizando 50 apartamentos de quatro diferentes tipologias. Isso tudo exige muito espaço de garagem, e por isso foi preciso criar 4 pavimentos de garagem, sendo 2 subsolos e 2 acima do solo (térreo e 2° pavimento).

Área de Lazer

Um edifício com esse padrão, nos dias de hoje, precisa de uma área de lazer, ainda mais sabendo que esse custo seria dividido por 50 unidades autônomas (apartamentos). Assim, optamos por concentrar os espaços coletivos na transição entre garagens e torre, ou seja, no 3° pavimento do edifício. Já falamos um pouco sobre as áreas comuns nesse post , mas no fim não explicamos por que ela ficou no 3° pavimento e não na cobertura. Sempre ficamos receosos sobre a área de lazer na cobertura, pois apesar de democratizar a melhor vista, acaba criando conflito com os apartamentos de cobertura. Além disso, no 3° pavimento podemos explorar os terraços de cobertura da garagem, criando mais área livre e um amplo espaço para a piscina.

Conceito

O conceito do edifício era parecido com o do Monteiro Lobato, um condomínio de apartamentos de alto padrão. Sempre trazemos a linguagem contemporânea para a arquitetura, porém aqui trabalhamos com um “nome” e aparência sóbria e tradicional. Escolhemos um nome, junto com a CZ engenharia,  que tivesse o mesmo tamanho, peso e permeabilidade na sociedade que o edifício teria, assim surgiu o nome “Vinicius de Moraes” – assim mesmo, sem acento, como o nome do poeta. 

Distribuição dos apartamentos

Quem nos acompanha sabe que a nossa filosofia na distribuição espacial é focada no usuário, por isso valorizamos as vistas e a insolação que os apartamentos terão. Assim, os apartamentos de 3 suites tem dormitórios para norte e sala com vista – para a Avenida Dores, ou para para os morros e a barragem. Já os apartamentos de 2 dormitórios ficam com a vista em direção à Camobi e insolação predominantemente leste. Como o prédio é alto e fica em uma região alta da cidade, ficou mais fácil explorar a paisagem natural e construída da cidade.

Nos últimos pavimentos temos 2 coberturas duplex, e 4 coberturas em um só nível. De certa forma o prédio foi escalonado no topo, e assim surgiram terraços para ofurôs nessas 6 coberturas. A ideia era explorar esse tipo de apartamento e oferecer metragens maiores, sem criar um apartamento muito grande que se descolasse totalmente do padrão do prédio.

Linguagem visual e aparência

Como vários outros empreendimentos, nossa ideia não é impactar no panorama urbano, e sim trazer mais harmonia e explorar a experiência do usuário. Por isso, trabalhamos com cores sóbrias, com revestimentos cerâmicos para fachada de 5x5cm, fosco. As esquadrias são brancas, não só porque traz leveza, mas também por que o PVC preto tem uma valor maior, o que poderia inviabilizar esquadrias de PVC da Alubra no empreendimento. 


A sobriedade vem de fora e entra nas áreas comuns da edificação. O hall de acesso recebeu um painel madeirado da Usina Móveis, com iluminação de perfil LED. Ainda no hall, as portas dos elevadores receberam um acabamento em quartzo branco fornecido pela J.J marmoraria. A cor das paredes é cinza e a iluminação é pontual. Já na circulação dos pavimentos tipo, não trabalhamos com madeira, mas mantivemos os tons de cinza e branco do hall, adicionando uma linguagem contemporânea de numeração de apartamentos e pavimento.

Contato com a rua

O Vinicius de Moraes representa um desafio no contato com a rua, algo tão valorizado nos nossos projetos. Com a alta demanda de garagens e a possibilidade de colar o edifício na calçada, resolvemos minimizar o impacto do paredão recuando um pouco o edifício, o que possibilitou uma  faixa verde, de vegetação, que valoriza a calçada para quem transita por este ponto da cidade. Assim, procuramos trabalhar essa faixa com bastante vegetação e iluminação, deixado o nível do pedestre mais agradável e confortável. Tivemos a sorte de ter a sede da Imobiliária Bravier do lado do Vinicius, uma atividade comercial que sempre traz mais vida e quase faz um calçadão na frente do Vinicius de Moraes.

É bem gratificante fazer o projeto, tomar as decisões junto aos engenheiros, acompanhar a execução, e agora simplesmente só visitar os amigos que moram ali. No fim, arquitetura é obra pronta, e o Vinicius é mais uma que está entregue e disponível para ocupação.

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Escrito por

Gaúcho, Santa Mariense, Arquiteto e Urbanista que um dia foi anarquista.

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