Explorando a posição do terreno – Altus Urban Living

Apesar do projeto de arquitetura de edifícios ser sempre pensado para o interior do lote, do terreno, me parece impossível pensar em projeto sem considerar as variáveis do entorno, da microrregião, da macrorregião e das vistas. Um projeto de edifício e os seus respectivos  apartamentos precisam tirar o melhor proveito do entorno para que o morador tenha a melhor experiência, assim como o edifício deve inserir-se adequadamente no bairro. Deve ser uma relação ganha-ganha… Tá, mas e como explorar o entorno? 

Entenda mais nossa filosofia de experiência do usuário.

Para facilitar, vou aproveitar e falar um pouco do projeto que fizemos para Construtora Xisto, o Altus Urban Living, que recém teve suas obras iniciadas. O empreendimento fica na Rua Jorge Pedro Abelin, a menos de 50 metros da Avenida Nossa Senhora da Medianeira, em uma parte alta do Bairro Nossa Senhora de Lourdes. E isso é importante, “uma parte alta do Bairro”, isso que eu chamo de macrorregião, que abrange posição do terreno com relação às vistas, principais avenidas e vias de deslocamento, além da topografia do bairro. Essa informação é importante para ajudar a definir o projeto do edifício e, junto à posição solar, é um dos determinantes para o posicionamento dos ambientes e suas aberturas (esquadrias). Dessa maneira, exploramos a insolação e as vistas nos ambientes. Já falamos sobre como as esquadrias são os olhos da edificação aqui. 

Dentro do terreno do Altus, tínhamos uma topografia da macrorregião que “cai” em direção ao sul, sudoeste e sudeste, em direção ao Monte Plaza Shopping, e à Rua General Neto. Em contrapartida, à norte, melhor insolação, a cidade “sobe” um pouco em direção à Avenida Medianeira. Essas duas informações cruzadas fizeram com que a fachada norte fosse explorada para dormitórios, onde a vista não é tão importante, mas a insolação sim.  Já as outras fachadas ganharam as salas e sacadas, que exploram o desnível do bairro para terem vistas longas e amplas.

Já a partir da análise da microrregião do terreno, foi possível identificar que o terreno ao lado do edifício, de esquina, não tem um espaço para um projeto tão amplo, ou seja, mais um sinal de que poderíamos explorar as vistas por cima daquele espaço.  A larga calçada e o caráter residencial do bairro, da microrregião, convida a criar uma espaço de lazer, que mesmo do terceiro pavimento, converse com a vizinhança, possuindo com varanda e aberturas em direção à frente do lote.

A conexão com a microregião também é feita no pavimento que toca o solo, no térreo. O fechamento do lote é parcial, entregando parte do paisagismo à rua, onde está previsto o plantio de vegetação arbórea que dê uma cobertura verde ao nível do pedestre. Além disso, o fechamento parcial conta com um espaço de lazer dos moradores, um espaço com bancos, que viabiliza a conexão entre moradores e a rua, ampliando a atmosfera de bairro.

Muito do entorno define o projeto, e essa conexão com a cidade no nível do solo e no nível da paisagem (vistas) ajuda a criar um laço entre moradores e localidade, valorizando a imagem que temos de cidade e bairro. Sem falar, claro, na valorização imobiliária do empreendimento.

Aliás, um pouco disso pode ser visto nesse texto, que explicamos o projeto do bau 727 e nesse texto, onde falamos sobre o Vinicius de Moraes.

Quer ver mais do projeto, confere no nosso site

Gostou, deixa o curtir ai e até a próxima.

Escrito por

Gaúcho, Santa Mariense, Arquiteto e Urbanista que um dia foi anarquista.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s