A quarentena e os edifícios

A quarentena e o convívio com o vírus e a necessidade de constante higiene afeta toda a sociedade, já falamos sobre mudanças nas casas e apartamentos, e hoje vamos falar sobre o que pode mudar nos edifícios. Projeto de edifícios é uma especialidade nossa, já são quase uma dezenas de prédios pronto em Santa Maria, 3 em execução e inúmeros estudos de viabilidade. Você pode ver mais no nosso site, ou aqui no blog, que já falamos sobre o Olavo Bilac, o Residencial do Parque,  o Monteiro Lobato, o Tom Jobim e o Solar das Oliveiras.

Acredito que aos poucos voltaremos ao normal, e vamos esquecer um pouco das exigências atuais, mas isso não significa que não pode afetar os edifícios atuais e os projetos dos novos edifícios. Aqui alguns pontos que podem ser alterados:

1 – Área de higienização. 

É uma mudança relativamente simples, bastaria colocar uma área de higienização, uma espécie de lavabo nos acessos dos edifícios, não é algo que tome muito espaço e nem mesmo adicione muito custo. Poderíamos transformar isso em condição normal, dessa forma seria um hábito, que sempre que se chegar da rua já lavaríamos as mãos, assim sujaríamos menos as maçanetas, os botões de elevador e os corrimãos. A higienização dos calçados também merece atenção. Já vi algumas pessoas adotarem soluções similares aos lava sola de tênis (tipo aquelas comuns às saídas de quadras de saibro), o que pode ser uma alternativa, a partir da definição de um local para receber uma lâmina de água com produto de limpeza, limpando a parte inferior do calçado.

Planta térreo
Residencial Fernando Pessoa – Vestiário no acesso

2 – Ventilação Natural

Estamos acostumados a projetar edificações que normalmente não possuem ventilação natural na circulação comum dos pavimentos, ou nas áreas comuns como hall e recepção. Panos de vidro fixo deixam mais elegante e transparente um acesso ou uma área condominial, mas hoje estamos vendo que a necessidade de circulação do ar não deve ficar em segundo plano. Devemos adaptar nossos halls e nossos corredores, para dar mais salubridade à edificação.

3 – Adaptações nas plantas

Possivelmente vamos pensar duas vezes, na hora de projetar, se não cabe aquele lavabo perto do acesso do apartamento, ou ainda se não é possível ter um acesso de serviço, para chegar direto na área de serviço e deixar o que precisa ser higienizado. Esse tipo de configuração, bem como priorizar o fechamento por porta da área de serviço em relação cozinha, além de soluções que primam por ventilação natural tanto na cozinha como na área de serviço, deverão ser novas meta nos projetos.

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Residencial Tom Jobim – Acesso de serviço com banheiro próximo.

4 – Edifícios comerciais

Se já é difícil para edificações residências, imagina para as comerciais, onde a ventilação mecânica é regra e as maxim ar abrem pouco ou às vezes nem abrem (existe norma limitando a abertura). As legislações municipais, como código de edificações, exigem uma área de abertura (iluminação e ventilação), que a verificação in locu normalmente se limita à observação da área de iluminação, sem atentar de a ventilação realmente esta cumprindo a área que deveria. Assim, é comum ter lojas estreitas e compridas, com vidros fixos na frente e sem equipamentos de renovação de ar, ou ainda salas comerciais que tem somente uma parede com janelas e várias subdivisões internas em gesso que não possuem ventilação natural. Vamos precisar investir nesses equipamentos (de ventilação mecânica forçada), ou ainda melhorar os projetos das salas para que possibilitem a ventilação natural, o que torna o ambiente muito mais agradável e higiênico.

5 – Áreas livres

Na maioria dos nossos projetos executados pela CZ engenharia, a opção dos engenheiros foi pela adoção da laje impermeabilizada como solução de cobertura. A laje de cobertura recebe manta asfáltica, proteção mecânica, manta térmica, proteção mecânica novamente, e por fim recebe pedrisco branco. E em pelo menos dois desses projetos, os moradores acabaram ocupando organizadamente, durante este período de quarentena, estas como “áreas de escape”, para caminhar e relaxar, sempre mantendo uma distância segura. Acho que mais que áreas condominiais fechadas (salões de festas, academias, brinquedotecas, etc.), vamos precisar investir em áreas abertas, em terraços ou outros locais, que possibilitem espaços de “respiro”, para prática de exercícios, caminhadas, e outras atividades ao ar livre. 

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Cobertura do Residencial Fernando Pessoa sendo utilizada para atividade física

Não sabemos quanto tempo a pandemia e o isolamento social vão durar, pode ser que estejamos com sorte e logo tudo isso passe, e uma boa parte dessas mudanças que citamos acabem nem sendo pensadas ou consolidadas. Mas foi impossível, neste momento, não fazer uma reflexão como esta.

Escrito por

Gaúcho, Santa Mariense, Arquiteto e Urbanista que um dia foi anarquista.

Um comentário em “A quarentena e os edifícios

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