O projeto de edificação multifamiliar – Residencial Olavo Bilac

Em fevereiro de 2009 recebemos o desafio de fazer um estudo de edificação residencial multifamiliar, era um pedido informal e em fase de risco, pois havia a possibilidade das negociações de permuta não ocorrerem como planejado pela parte contratante.

Perspectiva de edificação

 Como recém-formados, e sem muitos planos de trabalho, eu e a arquiteta Renata Zampieri resolvemos não desperdiçar a oportunidade e trabalhamos com dedicação por algum tempo até entregarmos os primeiros estudos. Depois readaptamos-os inúmeras vezes até a aprovação, primeiramente dos clientes e posteriormente da prefeitura. Ali começava meu interesse singular nessa tipologia.

O terreno, como na maioria dos lotes localizados na cidade de Santa Maria, é profundo (88 metros) e relativamente estreito (22 metros), possui um aclive para seu fundo (cerca de 6 metros). A testada do terreno voltada para a rua é sul, conseqüentemente a de fundos é norte, e suas laterais são leste e oeste. O padrão do prédio era alto, as plantas eram para ser espaçosas, porém sem exageros, o que nos deu uma mobilidade projetual maior.

  Terreno de estudo

Começamos nosso estudo fazendo uma análise analítica e espacial do que a legislação permitia para aquele lote, naquela região. Em seguida buscamos referencias projetuais locais e internacionais. Acabamos percebendo uma prática comum nesse tipo de projeto, o que nos levou a discussões acerca da aplicação dela ou não ao projeto que estávamos desenvolvendo; era o rebatimento de um apartamento ou de um conjunto de apartamentos que resultava na planta tipo dos pavimentos.

Terreno com proposta inicial

Desde e o começo, nosso principal condicionante foi a posição solar dos compartimentos  e, conseqüentemente, dos apartamentos. A decisão da edificação ser dividida em duas torres já havia sido tomada, a separação em duas circulações verticais parecia o mais racional para o melhor aproveitamento da ventilação cruzada e insolação. Por mais que as referências colocassem o rebatimento como uma prática corrente e de facilidade projetual, não nos parecia a melhor solução, pois resultaria em apartamentos com situações solares opostas. A adoção do rebatimento, no caso específico deste projeto, com duas torres, acabava sendo mais prejudicial ainda; pois acarretaria em um prejuízo de visuais, em falta de privacidade, e a diminuição da insolação, uma vez que uma torre faria sombra sobre a outra; desvalorizando o empreendimento. Isto aconteceria porque os compartimentos voltados para a rua, na torre da frente, com o rebatimento dentro da mesma torre, acabariam com aberturas de ambientes de permanência voltados à torre dos fundos, e vice e versa.

Esquema Planta Torre A

Desta maneira decidimos explorar as condições solares, tomando como prioridade a posição solar leste, principalmente para dormitórios. Assim, dividimos cada torre em três apartamentos, sendo um deles, o de dois dormitórios, na parte central da mesma, voltado totalmente a leste; e os outros dois apartamentos, de 3 dormitórios, nas pontas das torres, não rebatidos, resultando em dois apartamentos com plantas distintas.

Com essa solução, seis dormitórios, dos oito que existem no pavimento tipo de cada torre, têm aberturas para o leste. O apartamento que fica na parte de tras da torre A, (em amarelo, na planta acima), não possui abertura para a parte dos fundos, ou seja, para a outra torre, resolvendo o problema visual e solar de conflito com a torre B (torre de fundos).

Planta pavimento tipo Torre A

Depois desses estudos, ai sim, a Torre A foi rebatida para dar origem à Torre B, concentrando-se os banheiros íntimos na área de encontro entre a duas torres. Em função do aclive do terreno em direção aos fundos do mesmo, a Torre B começa um andar acima da Torre A. A tentativa foi sempre dar uma certa equivalência de valores e qualidade dos apartamentos. Assim, os  apartamentos de 2 dormitórios e o apartamento de 3 dormitórios que fica na área de encontro das torres (em amarelo na planta acima) são iguais, em atrativos visuais e insolação. Já os apartamentos de frente da Torre A e fundos da Torre B são trabalhados a partir de vantagens e desvantagens. Enquanto um possui a desvantagem da sala a sul, tem a vantagem da vista da rua e da cidade; já o outro possui a vantagem da orientação solar norte na sala e dormitório, porém com prejuízos por estar localizado no miolo da quadra.

Pavimento Tipo com as duas torres

O projeto ainda conta, devido essa diferença de altura da Torre A para Torre B, com um espaço de lazer com salas multiuso e salão de festas que fica no pavimento térreo da Torre B. O acesso de pedestres é feito pela lateral leste, que leva também à área de piscina e playground que fica ao fundo do terreno.

Planta Pavimento tipo Torre A e Pavimento lazer Torre B

Hoje a obra está andando e algumas modificações foram feitas, como a inversão dos espaços de lazer, colocando o salão de festas na começo da Torre B e as áreas abertas e as salas multiusos próximo à piscina.

Continuamos a projetar e fazer estudos de edificação residencial multifamiliar, sempre estudando para achar a melhor proposta possível, sem ficarmos cegos por uma maneira projetual fixa que possivelmente possa levar a uma solução viciada. Ficamos contentes com a solução encontrada, mas estamos sempre buscamos bibliografias para melhorar nossas novas propostas. Agora ficamos no aguardo da conclusão da obra para avaliação completa.

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