Santa Maria caminhável – comece caminhando

Caminhar faz bem, não só pela óbvia razão de ser uma atividade física, mas também porque caminhar traz inúmeros outros benefícios. Existem estudos que indicam que caminhar, além disso, ajuda na sua criatividade, a pensar melhor, organizar a ideias e relaxar. Está na nossa natureza caminhar. Recomendo dois TEDs que falam sobre o assunto.

TED – Want to be more creative? Go for a walk 

TED – Got a Meeting, take a walk

Eu tenho adotado a caminhada como hábito. Pelo menos metade das vezes que venho ao trabalho, venho caminhando. O carro, que serve mais para uso da empresa, fica em uma garagem no centro, ou com minha sócia – é um carro compartilhado entre nós dois e a empresa. São 1.4 km de casa ao escritório, cerca de 20 minutos de caminhada, algo bem razoável e tranquilo de se fazer. Além disso, caminhar proporciona tempo para ouvir música, podcast e fazer algo que adoro, que é observar a cidade e seu funcionamento. Assim, fico atento a lojas que abrem e fecham, a lançamentos imobiliários, a edifícios mudando de uso e de cor – A cidade ficando sóbria -, enfim, acho terapêutico e enriquecedor. Mas é claro, podia ser melhor!

Santa Maria podia ser mais generosa com o pedestre. Eu não sei se isso decorre de falta de interesse da sociedade sobre o tema da acessibilidade urbana, ou se é nossa cultura de valorização do carro, um símbolo de status e modernidade. Uma reflexão maior sobre esse tema é feita neste artigo do Archdaily. De qualquer forma, o carro tem preferência em relação ao pedestre em todo o Brasil, é algo já enraizado na nossa cultura.  Um exemplo disto é que obras na ruas e avenidas são dever do município, pagas e mantidas com verba pública, e muitas vezes a má conservação é motivo de protesto. Já a calçada é praticamente “cada um por si”, sendo responsabilidade do proprietário do lote, e não recebe verba pública. Embora seja o espaço que de fato serve a todos os habitantes, não lembro de ter visto um protesto sequer por condições adequadas de calçada.

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Cruzamento elevado na Cidade Criativa Pedra Branca – Palhoça – SC

Não sei o que vem primeiro, o ovo ou a galinha. Não sei se preferimos escolher ir de carro por que as as calçadas são ruins, ou se elas são ruins porque valorizamos o carro e deixamos elas relegadas. De qualquer forma, precisamos mexer nessa equação. A primeira ação que acho que quase todo mundo pode fazer é começar a caminhar mais. Caminhando vamos notar erros que cometemos como motoristas, seremos mais sensíveis aos pedestres e começaremos a cobrar melhores calçadas. Isso pode ser um começo para, aos poucos, melhorarmos nossa relação com o passeio público e a cidade.

Ano retrasado, estive em um audiencia de diagnóstico do plano de mobilidade urbana de Santa maria. Um dos dados que me chamou mais a atenção foram os estudos que apontavam que cerca de 30% dos deslocamentos até 600 metros de distância eram feitos de carro. Imagina, meia dúzia de quadras, e praticamente todo mundo que tem carro, vai de carro. Eu acho que precisamos aproveitar a escala da nossa cidade e caminhar mais, não só caminhadas históricas, marchas de protesto ou procissões, caminhadas do dia-a-dia mesmo, ir na farmácia, conhecer vizinhos e estabelecer laços com a localidade, o bairro e a cidade.

Acho que esse seria o primeiro passo, para começarmos a pensar em ter uma cidade melhor. E como Jeff Speck relata no livro “Cidade Caminhável”, já sabemos o que e como melhorar a atração e a vida em centros urbanos e nas cidades, e as calçadas são peça chave nessa melhoria. Então vamos começar usando elas um pouco mais!

 

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