Sacadas abertas ou fechadas?

Conforme a cidade cresce, o custo do solo aumenta e com ele surge a verticalização, uma maneira de melhor aproveitar o solo e aumentar a densidade urbana. Os edifícios de apartamentos, que nada mais são do que casas empilhadas, são os grandes protagonistas desta verticalização. Um grande advento para o usuário dos apartamentos não perderem contato com a área externa, com o que seria o pátio em uma residência tradicional, são as sacadas.  A sacada, além de valorizar o imóvel, cria um anteparo para uma insolação, e é um refúgio do, muitas vezes, claustrofóbico apartamento. Isso faz com que a sacada esteja presente na maioria dos edifícios multifamiliares, ficando de fora somente quando o custo é um fator decisório.

Aqui no Rio Grande do Sul a sacada ganhou mais um elemento importante, que também é oriundo do tradicional pátio das residências, a churrasqueira. Uma sacada e uma churrasqueira são muitas vezes um requisito mínimo na aquisição de um apartamento, não é uma vantagem sobre outros, mas sim um item eliminatório, se não tiver, aquele apartamento não serve para aquela pessoa. O grande problema decorrente deste conjunto é que no RS a variação térmica é grande, saindo de zero graus e “chuva na horizontal” no inverno, até próximo dos 40 graus e quase 12 horas de sol por dia no verão. Essa variação térmica, que impede o uso da sacada em algumas condições, somada à nossa voraz necessidade por espaço extra, faz com que o fechamento da sacada seja quase tão certo quanto a existência da mesma.

Esse fechamento acaba mudando a fachada da edificação, e por isso vem sendo discutido em reuniões de condomínio e por construtora e projetistas (arquitetos), o que geralmente resulta em um fechamento padrão, homogêneo em toda a edificação. Hoje possuímos mais de 10 projetos de edificações multifamiliares projetados, aprovados e concluídos (ou em fase de construção) em Santa Maria, no qual acompanhamos essas decisões ou mesmo nos antecipamos a elas. Aqui vão algumas experiências.

Condomínio Residencial Olavo Bilac

O condomínio Residencial Olavo Bilac, nosso primeiro projeto de edificação multifamiliar, foi  proposto com grandes sacadas, logo após a mudança do PDDUA-SM, que permitiu churrasqueiras na sacada em balanço no recuo de ajardinamento. De olho nas amplas sacadas, os moradores, ainda na etapa de execução da obra, vieram perguntar sobre o possível fechamento das mesmas. Como a legislação havia mudado há pouco, algumas regras precisavam ser estabelecidas, e em conversar informais com o setor de análise e vistoria, foi concedido a permissão do fechamento antecipado das sacadas, fato que só ocorreu essa vez na nossa história de projetos multifamiliares. Passamos assim para o projeto e especificação do fechamento, que no nosso entendimento deveria ser conforme o restante das esquadrias do prédio. Trabalhamos para manter um padrão com ampla abertura, algo que fizesse com que o usuário ainda se sentisse em uma sacada. Assim, foram desenhados janelas de alumínio e vidro de correr com 3 trilhos, e 66% de abertura de vão, onde os batentes e tamanhos de vidros ficaram alinhados com o perfil que estrutura o peitoril de vidro e alumínio da sacada.

Durante a execução, o setor de engenharia teve alguns problemas de vedação e as janelas, com bastante alumínio, acabaram marcando bastante as fachadas, trazendo um peso visual que não era previsto no projeto inicial. Além disso, os elementos de acabamento de canto do fabricante eram redondos, boleados, o que também não estava no planejado e projetado. Mas de qualquer forma a Sacada virou sala e a integração ficou total (cada morador escolheu se removeria a esquadria que liga a sala à sacada).

Veja mais no nosso site – https://lparquitetura.com.br/projeto/olavo-bilac

Residencial do Parque e Residencial Oswald de Andrade

Com a experiência adquirida, ou em andamento do Residencial Olavo Bilac, nestes dois residenciais a opção foi deixar a sacada aberta, com uma indicação de projeto e fornecedor padrão, algo que contribuísse para o padrão estético da edificação, algo mais limpo, sem o alumínio marcando na vertical. No residencial Oswald, ainda durante a execução, optamos por trocar o guarda corpo original das sacadas, que era vazado, por um de vidro, facilitando a comunicação entre fechamento e guarda corpo, caso essa fosse a opção dos futuros moradores.

Residencial do Parque

Veja mais no nosso site –  https://lparquitetura.com.br/projeto/residencial-do-parque

Residencia Oswald

Veja mais no nosso site – https://lparquitetura.com.br/projeto/oswald-de-andrade

Aparentemente essa solução teve um bom resultado, deixando a escolha do fechamento para o usuário do apartamento. Sem os elementos de alumínios na vertical, não ficou tão marcada a diferença entre sacadas que receberam o fechamento e que não o receberam.

Residencial Monteiro Lobato

O Residencial Monteiro Lobato também possui amplas sacadas, com quase 10 m² nos apartamentos de 3 dormitórios. A solução foi parecida, apenas com um pequeno diferencial, o Residencial Monteiro Lobato possui apartamentos duplex, onde a sacada fica parcialmente com um “pé direito” duplo. Neste caso, especificamos uma cobertura de vidro que é implantada antes do fechamento vertical da sacada, ficando parte da mesma como um solarium. Como o Residencial recém começou a ser habitado, não temos exemplos prontos ainda, para verificar o efeito deste fechamento, mas em breve teremos.

Veja mais no nosso site – https://lparquitetura.com.br/projeto/monteiro-lobato

Novas Soluções

Depois de experimentações e reflexões sobre abrir e fechar a sacada, procuramos pensar em uma melhor maneira de aproveitar o conceito de varanda, mas com o benefício de uso em qualquer condição climática e com resultado adequado ao conjunto arquitetônico. Assim, chegamos a algumas novas propostas em outros projetos do escritório.

Residencial Tom Jobim

O Residencial Tom jobim é uma edificação de alto padrão, são 15 pavimentos, com 12 apartamentos de 3 suítes e cerca de 200 m² privativos. O conceito era verticalizar a edificação, em um terreno situado em uma região alta da cidade, e aproveitar as visuais. A edificação ficou inteiramente dentro do recuo de jardim (ajardinamento), o que permitiu que o projeto fosse aprovado todo fechado, sem “sacada”. Projetamos na parte frontal da edificação, onde a vista é ampla, a área social com um espaço separado por portas de vidro, que serve de varanda/terraço. Esse espaço recebeu amplas janelas com 40 cm de peitoril fixo de alvenaria e mais 80 cm de vidro de um peitoril externo de vidro. Com a verga a 240 cm, amplas janelas de 200 cm de altura correm e permitem que a área toda vire uma sacada, permitindo ao usuário decidir o quanto quer abrir, e garantindo uma vedação consistente. São 2 esquadrias, uma de 2,40 m de largura e uma de mais de 5 metros, sendo que esta possui 6 folhas e 3 trilhos, permitindo abrir mais de 60% do vão. O conceito é que o espaço, que ficou como área de churrasqueira, pudesse ser uma varanda ou um elegante espaço gourmet, de acordo com a vontade do usuário.

Veja mais no nosso site – https://lparquitetura.com.br/projeto/tom-jobim

Residencial Solar das Oliveiras

O Residencial Solar Das Oliveiras é uma edificação de 8 pavimentos, com 6 pavimentos de 3 apartamentos de 2 dormitórios, totalizando 18 apartamentos de aproximadamente 85 m². Trabalhamos em um conceito parecido com o do Residencial Tom Jobim, o espaço social do Residencial Solar das Oliveiras, que é uma sala integrada com área de churrasqueira e cozinha, possui uma esquadria de 4,20 m x 2,00 m, com peitoril de 40 cm e um guarda corpo externo. O conceito foi transformar toda a sala em uma varanda, abrindo mais de 60% do vão.

Veja mais no nosso site – https://lparquitetura.com.br/projeto/solar-das-oliveiras

Nesses dois projetos a sacada foi incorporada, integrada ao projeto e à sala como um todo. Isso implica na necessidade de não projetá-la sobre recuos primários ou de jardim, para fins de aprovação nos órgãos municipais. Essa decisão vem junto com o projeto, desde os primeiros escopos até a finalização. Estamos tentando entender e nos debruçar sobre o uso e a função destes espaços, para aperfeiçoar a arquitetura cada vez mais, garantindo uma melhor qualidade ao usuário final.

Um nova abordagem  – Residencial Vinícius de Moraes

Aprovamos no começo do ano o Residencial Vinícius de Moraes, localizado na Av. Nossa Senhora das Dores, número 900, quase na esquina da rótula do Idealista. O residencial possui 17 pavimentos e 50 apartamentos, que variam de cerca de 85 m² até um pouco mais de 200,00 m². Neste projeto, trabalhamos para evitar a necessidade do fechamento de sacada, trazendo a churrasqueira para o ambiente interno e deixando uma área menor de sacada, para tentar garantir sua manutenção permanente, mesmo pós-ocupação.

No apartamento de dois dormitórios (85 m² privativos), a churrasqueira ficou junto à cozinha, enquanto no apartamento de 3 dormitórios (135 m² privativos) a churrasqueira ficou em um espaço específico, um ambiente só para ela, fechado porém com amplas esquadrias. Nos dois apartamentos, a sala conversa com uma sacada estreita através de amplas esquadrias com 3 trilhos, ou seja, com possibilidade de 66% de abertura. A sacada é, ainda, a relação que o usuário tem com o pátio, o espaço privativo que fica aberto, onde pode ser estendido roupa, plantado uma horta, ou ainda ter a sensação de estar em um local aberto, com a possibilidade de abertura das esquadrias mesmo em dias de chuva, por exemplo. Assim, sem tomar muito espaço e inspirado em tratamentos de sacadas e varandas vistos na cidade de Bogotá, a sacada possui 80 cm de largura. É pequena para o proprietário não sentir-se furtado em relação à área privativa, ao ponto de querer fechá-la, mas não tão pequena que não crie relação com a área externa. Ainda assim, a esquadria possui quase que toda a dimensão da sacada, permitindo algo parecido com o Condomínio Residencial Solar das Oliveiras e o Condomínio Residencial Tom Jobim, transformando parte da sala em uma varanda.

Veja mais no nosso site – https://lparquitetura.com.br/projeto/vinicius-de-moraes

Ainda não chegamos a uma conclusão definitiva, estamos experimentando e experienciando . O convívio com usuários e as pesquisas de uso, que queremos elaborar no futuro, vão nos dar uma parâmetro melhor de avaliação. O importante, no meu ponto de vista, é tentar sempre pensar em como este importante elemento na arquitetura residencial multifamiliar pode ser melhorado, ou de que forma os usuário vão aproveitar e ter melhores relações com a arquitetura através do mesmo. Não queremos aceitar soluções padrões como definitivas, entrando num modo automático de projeto, queremos experimentar e chegar a novas conclusões.

Vejas todos nossos projetos – http://www.lparquitetos.com.br

 

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