Como escolhemos cores – Vinicius de Moraes sendo pastilhado

Quem cruzou pela Avenida Dores, no trevo do Idealista, deve ter notado que o volume de bloco e cimento do Residencial Vinicius de Moraes começou a ganhar cor. O revestimento externo, feito em pastilha cerâmica 5x5cm, começou a ser instalado há algum semanas, e já está cobrindo boa parte do futuro residencial. 

A escolha de um  revestimento não é um trabalho simples, pois existe um grau de responsabilidade em definir o tom que ficará por anos no panorama urbano da cidade. Quem observa nossos projetos deve perceber alguma similaridade entre os edifícios, talvez note que escolhemos tons neutros, geralmente aplicando uma cor só no empreendimento, além do branco e do cinza, que normalmente se fazem presentes. Observe nossos projetos logo mais abaixo.

É difícil reconstruir como definimos as cores para todos nossos projetos de edificações urbanas, mas podemos afirmar que pautamos pelos conceito de discrição,  composição urbana e toda a preocupação técnica por trás de cada escolha.  

Discrição e sobriedade

Acreditamos na cidade e na sua densidade, e a tendência é que cada vez mais tenhamos edifícios lado a lado, ou mais afastados porém no mesmo quarteirão. Os projetos são naturalmente diferentes, pois cada um tem um terreno, vista, insolação e programa específicos, condicionantes que interferem diretamente no projeto final. Já imaginou cada um desses edifícios com um conjunto de cores totalmente diferente dos outros, e cores chamativas? Muita gente ia achar divertido, mas acreditamos que em densidades maiores, trabalhar com tons neutros, como branco e cinza, ajuda a mimetizar a edificação no panorama urbano. Assim, costumamos usar dois tons sem pigmento para trazer elegância à edificação. Além disso, revestimentos com cores ou formas específicas tendem a ficar mais “datados”, mostrando o período que o prédio foi feito, e podem dar uma sensação de envelhecimento do edifício com o passar do tempo, enquanto tons neutros são mais atemporais. 

Composição urbana

Mas claro que só isso não adiantaria, senão estaríamos parecidos com o lado comunista da Alemanha, com muitos prédios iguais, o que acaba não gerando identidade aos moradores e torna a paisagem urbana monótona. Buscamos sempre trazer um pouco de personalidade para cada edifício através da aplicação de uma cor mais específica, além da composição base do cinza e branco. Normalmente gostamos de trabalhar com variações de tonalidades de cores básicas, como o amarelo, o vermelho e o azul.

 

Mas e o aspecto técnico?

Isso é um assunto muito importante, principalmente em edificações que não são 100¨%  pastilhadas. Quando esta é a alternativa, utilizamos as cores mais fortes sempre em pastilha, utilizando a pintura nos tons neutros e claros (branco e cinza). Isso se dá porque pintura de tons com pigmentos mais fortes têm mais potencial de desbotamento, o que demanda maior quantidade de repinturas para manter a linguagem original. Então se a ideia for utilizar um azul bem vivo, o melhor é optar pela pastilha nesta tonalidade é pintar o restante da edificação em branco, por exemplo. Isso diminui a manutenção da edificação no futuro. Além disso, pode ser realizado um projeto de fachada, que pelo nome pode parecer ser apenas um desenho dela, mas na verdade é um projeto técnico completo, que indica o tipo de massa a ser colada a pastilha, se deve ir tela no reboco para não ocorrer desplacamento devido a dilatações e tensões estruturais, entre outros aspectos. Esse projeto é feito por empresas especializadas no assunto. 

De volta ao Residencial Vinicius de Moraes

Enfim, o Vinicius de Moraes será inteiramente revestido em pastilha, e os tons que começam a aparecer são o cinza escuro, o branco e o verde, com destaque para o fato do branco e o verde serem foscos, e serão feitos com rejunte da cor da pastilha, dando mais uniformidade ao revestimento. O verde foi escolhido devido à proximidade do empreendimento com os morros, e o destaque natural que possui por estar em uma área menos densa da cidade. O uso desta cor é uma maneira de adaptar o edifício à paisagem urbana na qual se insere, que tem os morros como pano de fundo.

Estamos ansiosos para ver o resultado final!

Quer ver nossos projetos completos? Acesse o nosso site!

Capa Postagem colorida

Escrito por

Gaúcho, Santa Mariense, Arquiteto e Urbanista que um dia foi anarquista.

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