Uruguai de carro – parte 1

Às vezes a gente passa 10 ou 12 horas no carro para chegar a uma praia no litoral catarinense, mas esquecemos que em menos tempo que isso chegamos ao coração do Uruguai, nosso país vizinho.  Aqui vão algumas dicas para quem pretende se aventurar por uma viagem assim, já que uma boa parte da equipe já fez uma car trip para lá.

Roteiro

Existem algumas possibilidade de roteiro para essa viagem. Você pode ir a Montevideo e Punta del Leste, ir a Colônia do Sacramento e Montevidéu, ou ainda ver toda a costa atlântica do Uruguai. Vamos fazer uma mescla dos roteiros que os arquitetos Guilherme e Anne Lyse já fizeram com familiares.

O roteiro mais completo seria sair do Rio Grande do Sul, direto à Colônia do Sacramento, passar um dia lá, depois ir a Montevideo e passar pelo menos uns 2 ou 3 dias, e depois ir ainda a Punta del Este, para mais um ou dois dias. Se for percorrer todo o litoral atlântico e voltar pelo Chuí. De repente dá para dormir mais uma noite em Rio Grande ou Pelotas, para descansar um pouco no meio da viagem de volta.

Aqui está o link para o roteiro completo. Neste primeiro post vamos parar na capital uruguaia.

Caminho e paisagem 

A paisagem do Rio Grande do Sul a partir de Santa Maria muda de acordo com o destino. Ao norte, temos serra, terra vermelha e plantação de soja, a leste vamos ver fumo e logo indústrias e a capital, já a sul temos os campos do pampa, com muito gado e colinas que se assemelham a dunas, porém com pasto. A paisagem do pampa gaúcho é muito parecida com a paisagem do Uruguai. No país vizinho, as estradas são boas, limpas, e com pouco movimento, e o movimento que tem, na sua maioria é de educados motoristas (sinalizam e dão passagem para os outros carros que trafegam em maior velocidade). Não existem muitos postos de gasolina, então tome cuidado para abastecer quando ver um deles. Essa calmaria não é de surpreender, pois a maioria da população uruguaia fica em Montevidéu e seu entorno, restando pouca população ao restante do país.

Colônia do Sacramento

Pense em uma cidade graciosa, ao estilo de Cartagena (Colômbia) e Parati (Rio de Janeiro), essa é Colônia. Guardada as proporções de exploração turística, Colônia tem as mesmas ruas de pedras, casas antigas alinhadas na calçada que hoje viraram pousadas ou restaurantes e o mar, ou quase mar né, já que Colônia fica dentro da baía do Rio da Prata.  O Rio da Prata é enorme, e se não fosse os altos edifícios de Buenos Aires do outro lado do rio, mal notaríamos que o rio tem “outro lado”.  

Além da “ciudad vieja”, à medida que nos afastamos do centro, as edificações vão ficando mais novas, até o ponto de serem mais parecidas com as nossas praias gaúchas, com camping, quiosques, areia e esportes. Vale a pena circular à noite a pé na cidade, que sempre tem movimento e apresenta uma excelente sensação de segurança. 

Outra curiosidade é que de Colônia é possível pegar um ferry até Buenos Aires, que inclusive possibilita que leve seu carro, se quiser ir com o carro até Buenos Aires. Isso pode criar outra opção interessante de passeio, passando uma dia em Colônia, barca até Buenos Aires, alguns dias na capital Argentina, e depois voltar ao Brasil. 

Montevideo 

A cidade tem tudo que se espera de uma Capital, possuindo área histórica, Mercado Público, atrações culturais, bons restaurantes, praias. E como tem apenas 1,4 milhões de habitantes, é tudo bem pertinho. Ela foi fundada em 1724, por um soldado espanhol chamado Bruno Mauricio de Zabala, como um movimento estratégico em meio à disputa hispanoportuguesa sobre a região da Bacia do Prata. A seguir uma dicas nossas sobre a cidade:

 A cidade e suas ramblas

Um ponto marcante na capital “uruguácha” são as “ramblas”, que nada mais são do que largas avenidas, acompanhadas de largas calçadas que fazem a divisão entre a cidade e o mar, ou o Rio da Prata (dependendo da rambla).  Você pode percorrer elas e perceber o clima praiano, onde existem pessoas caminhando, correndo, tomando mate, e até aproveitando a areia e a praia. É um excelente ponto para ver o pôr do sol e curtir o final de tarde com um mate ou em um dos barzinhos em frente às ramblas.

Plaza Independencia e Ciudad Vieja

Principal praça da cidade, é circundada por edifícios de diferentes períodos, incluindo o Palácio Salvo, que com seus 95 metros de altura, foi a torre mais alta da América do Sul por muitos anos. A praça tem no seu centro o mausoléu do grande herói nacional, General Artigas, abaixo de uma grande escultura em homenagem ao mesmo. Além disso, a praça faz a divisa da ciudad vieja com o centro, e nas proximidades dela encontram-se inúmeros outros marcos históricos e culturais. Dentre eles está o teatro Solis, imponente teatro com fachada neoclássica e inaugurado em 1856. A partir da praça também pode ser ver Puerta de la Ciudadela, que além de uma antiga porta de entrada da cidade, ela indica o caminho para a rua Sarandi, um calçadão cheio de restaurantes e bares que chega no litoral e no mercado público. Aliás, o mercado merece uma visita e um almoço com uma tradicional parrilla uruguaia.

Pocitos 

Pocitos é um bairro que fica à beira mar do Uruguai. Considerado como o bairro da moda pelos montevideanos, ele é cheio de bares e restaurantes. Mas o que mais chama a atenção no bairro, na minha opinião, é a forma urbana no litoral, os prédios tem a mesma altura e são colados na divisa, o que gera uma leitura única do litoral. Essa forma gerou inclusive um comparativo com Copacabana, expressado em fotos, post de blogs e artigos científicos.

Comida Bruta

Além da tradicional parrilla, Montevideo tem inúmeras opções de comidas, como toda a capital. A nossa dica é ir ao restaurante Bruta, em Pocitos. Suas comidas são em pequena porções, ao estilo das tapas espanholas, o que permite degustar muitas opções. Toda a comida foi extremamente saborosa e o ambiente é perfeito para sentir o clima da vida urbana mista entre restaurantes e residências do bairro de Pocitos.

Vinhos, é claro!

O Uruguai, apesar de pequeno, oferece alguns vinhos excepcionais, e possui como principal destaque a produção de vinho da variedade Tannat. Dentre as vários bodegas que existem no país, a maioria fica na capital e seus arreadores, sendo a Bodega Bouza a escolhida a ser visitada pelo arquiteto Guilherme e a arquiteta Renata, durante o passeio pelo país vizinho:

“Já conhecíamos a Bodega por sua inserção nos freeshops da fronteira do Brasil com o Uruguai. O rótulo chama a atenção de qualquer arquiteto, pois é limpo, bonito e possui o desenho de uma edificação histórica.  A qualidade do vinho confirma o bom gosto no rótulo, e por isso resolvemos visitar a vinícola quando estivemos em Montevideo. Apesar de estar situada em uma edificação de quase um século de vida, a  Bodega Bouza, como marca, é jovem para uma vinícola, possuindo pouco menos de 20 anos de existência. No entanto seus proprietários investiram bem na sua infraestrutura e tecnologia, sendo o espaço bastante charmoso e aconchegante, o qual possui, além das instalações padrão de qualquer vinícola, uma “garagem” que funciona como museu de carros antigos, no meio dos quais estão dispostas as mesas para fazer a degustação harmonizada.  A degustação leva cerca de 45 minutos e a visita pelas instalações mais uns 30 minutos. Só não vale a pena comprar vinhos por lá, já que os próprios atendentes orientam que no Freeshop os rótulos acabam saindo mais baratos.”

No mês que vem falaremos da outra metade desta car trip.

 

Escrito por

Gaúcho, Santa Mariense, Arquiteto e Urbanista que um dia foi anarquista.

Um comentário em “Uruguai de carro – parte 1

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