As vezes é preciso ser um pouco chato.

As vezes a gente (arquitetos) passa por chato e cricri. De fato, algumas vezes, a gente implica com umas “bobagens” mesmo, mas faz parte da nossa formação crítica. Porém esse instinto de implicar, muitas vezes, tem um resultado positivo. É através da crítica que podemos melhorar nossos projetos ou resolver problemas. Tudo o que precisamos é ser crítico e perceber o espaço à nossa volta, lutar um pouco contra o hábito.

O ser humano é um bichinho bem adaptável, nos acostumamos com as burocracias, dores, rotinas, enfim, nos adaptamos a quase todas as situações de vida, até as ruins viram hábito. Esse é um ponto que os arquitetos e profissionais da economia criativa devem prestar atenção, pois muitas vezes o incômodo é o ponto de partida para criar uma melhoria. Quando digo incômodo, não é só algo que te incomoda perceptivelmente, as vezes é algo que você nem lembra que te incomoda mais. Mas você, como projetista, precisa prestar atenção a um detalhe do dia-a-dia e pensar, por que esse detalhe/elemento é assim, afinal ele precisa ser assim? Seria algo como “perceber”, um conceito abordado no TED do engenheiro e designer Tony Fadell (noticing).

Trazendo o debate para a arquitetura, lembrando que isto é meu ponto de vista, precisamos ser críticos e notar elementos e a relação entre os elementos e o usuário. É perceber, ao frequentar lugares, o que funciona, o que deixa o espaço convidativo ou confortável, além de perceber também o que não está funcionando ou poderia funcionar melhor.

Trazendo para o campo prático, procuramos fazer isso na LP arquitetos. Um exemplo são as esquadrias, onde buscamos questionar sua forma e dimensão dentro do projeto. Procuramos constantemente pensar: como o usuário terá uma melhor experiência com essa esquadria? E se for com 3 trilhos? E se for de 6 folhas? E se colocássemos uma esquadria maxim-ar superior para manter aberto em períodos de chuva, favorecendo ventilação higiênica?  E se fosse com peitoril baixo? Buscamos pensar na melhor solução para a esquadria para o espaço, sem a reprodução de soluções automáticas.

Outro exemplo é o guarda corpo de sacada. Chegamos à conclusão que a maior parte do guarda corpo precisa ser de vidro, não precisa ser todo, mas pelo menos a partir de 60 cm de altura. Isso aumenta o conforto visual, amplia a sensação de espaço da sacada e melhora as visuais de quem usa sacada, principalmente sentado. Muitas vezes volumetricamente o guarda corpo fica mais interessante “cheio”, de alvenaria, mas não estamos dispostos a sacrificar a experiência do usuário apenas para um melhor resultado formal. As esquadrias e guarda corpos são coisas simples, mas é necessário sentar, observar seus usos, pensar criticamente, “notar” e questionar, para finalmente definir o que será utilizado em cada projeto.

Esse conceito da observação, ponderação e reflexão é amplamente usado no design, e no TED abaixo, Tony Fadell dá até dicas de como perceber e ser mais crítico aos projetos e objetos. Vale a pena dar uma conferida!

Aqui está o TED que mencionei, vale a pena conferir!
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