Intervenção no Existente – Restaurante da Pousada do Recanto

Semana passada tive a oportunidade de almoçar no restaurante da Pousada do Recanto, um restaurante excelente, que fica localizado na Pousada do Recanto, no Recanto Maestro. A pousada é um conjunto de edificações que foram construídas ao longo do tempo, desde o final dos anos 90, tendo como base uma casa antiga de pedra que aparenta ter próximo de um século. Ela funciona há cerca de 25 anos e, pelo que soubemos, foi por ali que os primeiros cursos do Menegheti foram ministrados. 

O restaurante serve à francesa, e a culinária é contemporânea, com um toque de tradição italiana, tradicional da região. Vale a pena conferir o almoço ou o jantar nos finais de semana. Você pode ver o cardápio no site deles. O restaurante fica na edificação principal, de pedra, onde também funciona a recepção da Pousada, e no que parece ser um anexo à edificação original. Este anexo também é feito de pedra, mas pelo recorte e forma de assentamento das pedras, não parece ser da mesma época da recepção.

Há uns 4 anos , nós da LP arquitetos, fomos chamados para fazer uma reforma e ampliação do restaurante. A ideia era aumentar a capacidade dele, mantendo o aconchego e o tom rústico e sofisticado que ele já possuía. A ideia era ampliá-lo para a parte de trás, tirando parte da terra dos fundos, criando um espaço conectado ao restaurante original. 

Sempre que pensamos em uma intervenção em edificação existente, fica a dúvida da maneira de intervir. A nossa opção seguiu os preceitos da intervenção contemporânea de Camilo Boito, onde o que é novo tem uma aparência diferente do original, deixando claro o que é novo e o que é o existente. Aqui em Santa Maria, podemos ver intervenções dessa maneira na Caixa Econômica Federal do Calçadão, onde o volume novo tem uma textura completamente diferente, mostrando sua época e diferenciando-se do original. Outro exemplo é a edificação onde fica o Hugo Taylor (Carrefour), onde os elementos novos são com cores, alinhamentos e materialidade diferentes, novamente indicando o que é novo e o que é original. Isso facilita o entendimento da edificação, não confundindo os visitantes e deixando as técnicas construtivas preservadas. 

Utilizando a mesma metodologia, a nossa opção foi trabalhar com materiais que, por mais que sejam os mesmos, fossem aplicados de maneira diferente, deixando claro o que é novo e o que é original. Criamos um novo limite ao espaço do restaurante, a partir da construção de uma parede de pedra e tijolo, que emula as antigas paredes de porão da arquitetura italiana, e deixamos ela sem revestimento, crua. Afastado dessa parede vem a madeira, que faz um painel para apoio das mesas, que por sua vez tem o tampo também amadeirado, mas em tons diferentes das mesas existentes. O que segura o tampo são pés pretos, e pretos também são todos os elementos metálicos da área nova, ou seja, as esquadrias, as luminárias e a estrutura que faz o fechamento da cobertura. 

O forro, por sua vez, é inclinado, acompanhando a nova cobertura, que tem inclinação diferente da tradicional de duas águas do restante do salão. Ele foi revestido com madeira, criando o pé direito com altura variável que permite uma linha de vidro acima do muro de pedra. As janelas maiores e em linha, diferente das originais, tiram proveito do verde abundante da área externa da pousada. A união dos espaços é através do piso, que faz um corredor, saindo do acesso ao restaurante até a área nova. O piso da área antiga foi mantido, novamente indicando a área de intervenção e área original. 

Os espaços são distintos e até decorados de maneira sutilmente diferente. Um exemplo é a ausência de toalha de mesa nas mesas novas, mas ambos compõem a mesma proposta de atendimento. 

É legal revisitar espaços projetados pela gente, ver como está sendo seu uso e se de fato a gente, como arquiteto, solucionou os problemas que existiam. Sempre podemos aprender com essas experiências. De modo geral, gosto do resultado que obtivemos nessa ampliação. 

Quer conhecer mais do nosso trabalho, acesse aqui.

Escrito por

Gaúcho, Santa Mariense, Arquiteto e Urbanista que um dia foi anarquista.

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