Espaços de lazer: O potencial do terreno DO DAER

Dentro da LP arquitetos falamos seguidamente do eixo Bairro Medianeira, Bairro Nossa Senhora de Lourdes, e Bairro Dores, principalmente por que nesse eixo existem vários projetos nossos, desde o Monteiro Lobato, passando pelo bau727, Castro Alves, Fernando Pessoa, até chegar no quase finalizado Vinícius de Moraes. Hoje estamos tão familiarizados com a região que nossa sede fica no meio de tudo isso, no Bairro Nossa Senhora de Lourdes, já falamos sobre ela aqui.

Além dos projetos que estamos fazendo nesta área, costumamos analisar vários terrenos, pensando sempre no que poderia ser feito em cada um deles. E já que nos outros dois posts falamos sobre áreas de lazer, um terreno que chama a atenção nesse eixo é o terreno do DAER, na esquina da Av. Medianeira com a Rua Dezenove de Novembro. 

A edificação situada na Av. Medianeira é a sede da 4ª Superintendência, que responde por 19 municípios. Funciona ali, além do escritório regional, oficinas, laboratório e almoxarifado. Segundo reportagem no Diário de Santa Maria, o prédio atual foi reformado em 1938, mas não há uma data precisa de quando começou a sediar o órgão. Ainda segundo a reportagem, Carlos Brasil Pippi Brisola, servidor aposentado do Daer, informou que desde 1971 o DAER já era ali.

O terreno do DAER é gigante, passando de 1 hectare, com mais de 60 metros de frente para a Avenida Medianeira, uma das principais avenidas da cidade, e mais de 150 metros de frente para a Rua Dezenove de Novembro. Isso tudo no Bairro Nossa Senhora de Lourdes, berço dos mais altos e valorizados apartamentos da cidade, mas ao mesmo tempo a apenas 10 minutos a pé do calçadão. O terreno já foi uma vez a Leilão, porém sem sucesso. O Governo do estado estipulou mais de 20 milhões de lance mínimo e no fim não houve negócio. 

Esta estratégia é que eu acho equivocada. O Leilão já ocorreu há mais de 3 anos e o terreno continua lá parado, sem muita utilidade, abandonado, escuro, sem calçadas e iluminação, deixando toda a região insegura. Eu sei que o Estado está endividado, mas as ideias de privatizações e vendas de áreas geralmente não são só para obter recursos, mas para também passar adiante os custos de manutenção, IPTU e outros. Mas com o insucesso do leilão, é provável que a área fique mais uns 10 anos parada, sendo um peso para o estado e sendo pouco aproveitada pela cidade e pelos moradores. 

Acho que deveríamos pensar em outras estratégias, será que 20 milhões faz diferença no orçamento do estado? Será que baixar o preço ou exigir outros arranjos não seria mais positivo para a cidade? Santa Maria tem uma deficiência de áreas verdes, são poucos parques, e a maioria da massa de vegetação está em terrenos privados. Por isso, áreas públicas verdes são fundamentais para serem mantidas. 

Tá, mas e o que poderia ser feito? Eu acho que o Estado deveria abrir mão um pouco da sua arrecadação, negociar com a prefeitura e pedir menos recurso pela área, exigindo que uma parte dela fosse implementada um espaço de lazer. Algo como leiloar com condicionantes de  que certas áreas verdes serão mantidas e uma praça será criada. Assim, quem ganha a concorrência faz a praça, define a área verde a ser mantida, divide os lotes no espaço restante, e pode revender para a indústria da construção civil. 

Assim, a verticalização ocorre (conforme previsão do PDDUA para o eixo ao qual pertence a Av. Nossa Senhora da Medianeira), a área é otimizada, e toda a sociedade ganha com isso. Assim, o estado “se livra” de uma área e de seus encargos, mas mantém uma boa área do terreno ainda pública, para o uso de toda a população. Se a gente não se mexer logo, não teremos mais áreas verdes na cidade, poucos edifícios novos plantam árvores no passeio público, as praças são pequenas e acanhadas, o Parque Itaimbé está abandonado e os parques centrais (da Medianeira e da CACISM) são privados. Muitas das cidades que hoje consideramos agradáveis, lutaram e planejaram seus parques e áreas verdes há muito tempo atrás. Começamos atrasados, mas ainda dá tempo de esverdear mais a cidade.

Um dos grandes exemplos de empreendimento parecido, com praça/parque e edifícios é o Parque Guinle, no Rio de janeiro.

Imagina que joia algo assim aqui no terreno do DAER(guardada as proporções né)!

Escrito por

Gaúcho, Santa Mariense, Arquiteto e Urbanista que um dia foi anarquista.

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