Espaços de Lazer: O potencial do parque da CACISM

Durante a pandemia, para preservar a mim e à minha esposa, troquei as fechadas academias por corridas na rua. Confesso que aproveitei o tempo para atingir metas individuais de corrida e me dedicar de fato à prática, pois sem exercício é muito difícil ficar. Dentro dessa nova modalidade, percorri alguns caminhos na cidade e percebi como é difícil achar espaço para correr em Santa Maria. São poucos os espaços para a prática, e além disso os carros e as péssimas calçadas deixam a atividade mais difícil ainda. Muitas vezes o que resta é correr nas rodovias, no acostamento, tomando susto e respirando fumaça. 

Mas dentro dessa busca por um espaço para corridas, percorri algumas vezes o Parque da CACISM, que fica perto de onde moro. Mas não usamos o parque só para corrida, minha esposa ia caminhar, sentar na grama, ler, e até minha sobrinha aproveitou a pracinha quando esteve aqui em Santa Maria, enquanto a maior parte do tempo eu corria. Fiquei pensando no potencial que o parque tem e em como ele ainda é pouco conhecido na cidade. 

O Parque da Cacism fica em uma área baixa da cidade, junto ao arroio Cancela, e tem uma grande área de preservação, que cria um cenário bonito e agradável. Localizado no bairro Nonoai, entre as ruas Tamanday e Célio Schirmer, possui uma área de 6 hectares, com iluminação própria e bastante espaço para a atividades de lazer e esportiva.

O Parque vem aumentando os equipamentos e suas atividades constantemente. No início era somente uma pista de corrida, depois chegou a academia ao ar livre e pracinha infantil. Mesmo de maneira simples, o Parque está quase completo no que se diz respeito a áreas de lazer, porém ainda parece pouco utilizado, pouco conhecido. Há cerca de um mês combinamos com amigos de ir tomar mate lá, e achei no um pouco mais movimentado, mas ainda subutilizado para o lindo dia de sol de outono que fazia. O parque tem sol até tarde no inverno, e espaço para estacionar carros, o que, infelizmente, ainda é fundamental para Santa Maria. 

Fico pensando no potencial que ele tem de ser um parque para o futuro de Santa Maria, que pode mudar a região e ser referência de lazer nos próximos 50 anos. O entorno ainda é uma região de baixa densidade, o que deve mudar no futuro, além disso, o parque ainda tem espaço de sobra para acomodar novas atividades.

Ele já é um ótimo espaço livre, mas claro que tem coisas a melhorar. Os acessos e conexões com a cidade, por exemplo, poderiam ser melhorados, o que leva a uma maior integração com o bairro. Na rua Célio Schirmer, onde está o acesso de veículos ao parque, não existem calçadas junto deste, e o acesso se dá somente por um canto, e através de um portão para os carros. Pela Rua Tamanday o acesso é ainda mais discreto, ocorrendo por um pequeno portão em meio às grades. Este acesso, inclusive, possui potencial para, com o tempo, ser criada uma conexão com a praça que existe na Tamanday (Praça da Nonoai). Claro que sempre respeitando os preceitos ambientais, mas ao mesmo tempo entendendo que algumas obras valem a pena para a cidade.  Acho ainda que ele pode ser melhorado paisagisticamente, com mais vegetação, criação de outras áreas de sombra, quem sabe até um pequeno lago, mais iluminação e mais bancos, mas sempre mantendo sua veia esportiva, que o caracterizou desde o princípio.

Eu confesso que acredito que os parques precisam ter sustentabilidade financeira. Não consigo acreditar que o município vai ter recursos para manter parques, afinal investimentos em infraestrutura viária acabam drenando grande parte dos recursos destinados à manutenção urbana. Então acredito que uma possibilidade seria rentabilizar os espaços do parque, e talvez com esse recurso ir investindo no próprio espaço. 

De começo poderia ser feito um pequeno boulevard com atividades relacionadas ao parque, aproveitando o estacionamento existente e criando espaço para comércio ou serviços. Talvez uma pequena academia, uma loja de açaí ou sucos, e por que não até uma lancheira ou restaurante?!  Essas atividades trariam recursos, visibilidade  e mais vida para o parque.  Poderia ser feita uma edificação com tecnologia de pré-fabricação e construção a seco, o que minimizaria danos ambientais para a área e permitiria remover e remodelar, caso fosse necessário.

Ideia de espaços que poderiam ser academia de personal trainer, lojas de sucos e outros estabelecimentos que poderiam aproveitar a facilidade de acesso do carro e trazer mais movimento, vida e financiamento ao Parque.

A concessão de parques e exploração comercial tem sido aplicada em todo o Brasil, a ideia é que o Parque ganhe autonomia e com o recurso próprio possa fazer melhorias para os usuários. De todas as formas, vejo que com a expansão da cidade e o aumento da densidade de áreas do entorno do centro, aquele parque vai ser fundamental e talvez a principal área de lazer daquela região da cidade no futuro próximo. 

Escrito por

Gaúcho, Santa Mariense, Arquiteto e Urbanista que um dia foi anarquista.

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