Retrospectiva Coletânea LP – Especial Rio de Janeiro – parte 01

Aproveitando o verão, nas coletâneas de fevereiro, março e abril falamos sobre o Rio de Janeiro. Sobre arquitetura, comida e tudo de especial que existe no Rio de Janeiro. Confira  o material das Coletâneas aqui. Segue aqui a primeira parte do conteúdo.

Coletânea Fevereiro/Março 2019

Passeio pelo centro

Boulevard e paineis do cobra

O Rio de Janeiro tem problemas, de fato. Quando se passeia pela cidade, sentimos momentos de alegria e em outros nem tanto, que nos levam a algumas reflexões. Podemos dizer que o mesmo acontece quando refletimos sobre a requalificação da orla da região central. A orla ficou incrível, a substituição do viaduto antigo pelo túnel, e a capacidade de reconectar a cidade ao mar, ao cais e ao antigo porto é algo louvável. A Orla Conte, também conhecida como Boulevard Olímpico ficou realmente impressionante, são 3,5 quilômetros que cruzam por praças, museus e vistas da Baía de Guanabara de tirar o fôlego. A primeira parte liga a Praça XV à Praça Mauá, enquanto a segunda parte avança até o Aquário, passando pelos antigos armazéns. Essa segunda parte, onde fica o porto e os pavilhões do cais conta com várias artes urbanas, incluindo gigantes painéis elaborados pelo artista e grafiteiro Eduardo Kobra.Dentre os destaques individuais do espaço estão o Museu do Amanhã e o Museu de Arte do Rio, ambos localizados junto à Praça Mauá, além de outros espaços que valem a visita, como o Centro Cultural Banco do Brasil, localizado próximo à Igreja da Candelária, em uma edificação neoclássica do século XIX, que sempre conta com interessantes exposições. Este investimento realizado para requalificar a orla da região portuária fez parte dos grandes projetos de preparação da cidade carioca para as Olimpíadas de 2016. E a reflexão que cabe aqui é se realmente estas eram as prioridades de investimento para esta cidade que conta com inúmeros problemas relacionados a desigualdade social, segurança pública, saúde e educação. É inquestionável a qualidade dos espaços gerados pela requalificação, mas fica a indagação se verbas similares, adequadamente alocadas a outros fins, não produziriam impactos ainda maiores. Bom, o que garantimos é que vale a visitação!

Patrimônio moderno

Já que estamos no centro do Rio de Janeiro, ele é também o berço de tendências e da arquitetura Moderna Brasileira. No centro do Rio de Janeiro foi implementado o famoso Plano Agache, que visava organizar e modernizar o centro, criando avenidas, linhas de transporte e “ditando” a forma que as edificações deveriam ter no centro. No centro do Rio também está o mais icônico edifício da arquitetura moderna brasileira, o Ministério da Educação e Saúde da então capital da República (Palácio Capanema), não só pela época que foi projetado e construído (1936), mas também pela participação de grandes nomes no projeto, como o Arquiteto Franco-suíço Le Corbusier, o Arquiteto Lúcio Costa e o jovem (na época) arquiteto Oscar Niemeyer. A edificação é composta por uma barra vertical (de 78 metros de altura) sobreposta transversalmente a uma barra horizontal (com 12 metros de altura), e apoiada sobre uma área de pilotis de dupla altura. A edificação ocupa todo o quarteirão e é implantada no centro do mesmo (algo incomum na época), gerando um amplo espaço aberto, uma praça, que se confunde entre espaço público e privado. Tudo isso com paisagismo de outro importante nome para a Arquitetura Moderna Brasileira, o paisagista Roberto Burle Marx. Impossível fazer uma sucinta descrição de tal edificação, nosso conselho é ir nesse link, e visitá-la quando estiver no Rio (e quando a reforma acabar). Além disso o centro do Rio de janeiro está cheio de edificações tombadas ou de interesse histórico, uma dica é o Livro Guia da arquitetura do Rio de Janeiro onde você pode buscar as edificações com um guia na mão. Se vocês não querem investir em um livro só para isso, outra opção é o Arqguia.

Museu do amanhã

Ocupando uma antiga área de cais, o Museu do Amanhã é do renomado arquiteto espanhol Santiago Calatrava. A definição do conceito de calatrava é… “A ideia é que o edifício se sinta etéreo, quase flutuando sobre o mar, como um navio, um pássaro ou uma planta. Devido à natureza em mudança das exposições, nós introduzimos uma estrutura arquetípica dentro do edifício. Esta simplicidade permite a versatilidade funcional do Museu, capaz de acomodar conferências ou agir como um espaço de pesquisa…” o resultado foi um edifício horizontalizado, com exploração da plasticidade da estrutura (característica dos projetos de Calatrava), o qual se implanta sobre um espelho d’água, como uma nave que pousa no centro do Rio. O museu tem um tipo de exposição interativa, buscando quebrar o paradigma silencioso de museus mais tradicionais. O entorno dele é convidativo a caminhar, a circular, e vislumbrar, já que a edificação avança no mar, como se fosse uma península.

Museu de arte do Rio

Apesar de não estar nos “holofotes” como o Museu do Amanhã, o MAR traz muitos elementos nos quais acreditamos da arquitetura contemporânea. O MAR na realidade não é uma única edificação, e sim um complexo que envolve edificações de períodos distintos. Uma delas é o Palacete Dom João VI, inaugurado em 1916 e tombado pelo município em 2010, ali fica o museu propriamente dito, que dá abrigo às exposições permanentes e temporárias. A outra edificação também é um retrofit, porém de um edifício moderno, e abriga a Escola do Olhar, onde existem salas de aula, espaços de workshop, café e um terraço com vista para o Porto Maravilha e a para a Praça Mauá. Uma cobertura fluida, como as ondas do oceano, integra as duas edificações, criando uma sensação única para quem sobe no terraço e tem a vista da praça emoldurada pela cobertura. O projeto foi coordenado pelo escritório Bernardes + Jacobsen Arquitetura, com a ideia dos três principais arquitetos: Paulo Jacobsen, Bernardo Jacobsen e Thiago Bernardes.

Opinião: Arq. e Urb. Guilherme SchneiderGuilherme Schneider - Fotos pessoais - LP arquitetos

“Vale a pena circular no porto e comparar os dois projetos, o Museu do Amanhã está “no palco”, na orla, como uma peça de arte, pois além da sua forma escultural você é convidado a circular no entorno dele. Como um objeto a ser admirado. O MAR está mais integrado à cidade, o acesso, feito pela Escola do Olhar, é um espaço aberto, como uma continuação da praça. O terraço com a cobertura em ondas é um convite a admirar a praça e a paisagem, já a edificação restaurada que guarda o acervo, é toda fechada, criando o ambiente e foco que um museu necessita. De certa forma, a discrição, a preocupação em criar espaços para o usuário e a integração com a cidade fazem do MAR o meu favorito entre os dois.”

Feijoada Carioca ou Mineira?

Não tem como não deixar uma dica de comida. Estando no centro, você pode pegar o Bonde de Santa Tereza, nas proximidades do prédio da Petrobrás, ou a famosa escadaria do Selaron, para subir o Morro Santa Tereza e chegar ao Bar do Mineiro. Se não quiser comer a famosa feijoada, você pode ficar numa banqueta na estreita calçada, ou praticamente na rua, bebendo uma cerveja em copos cica e comendo uns pasteizinhos de feijão, de preferência no calor né. É difícil saber quem inventou o hábito de beber e comer na calçada ou quase na rua, mas parece que os cariocas se apropriaram disso, o que casa bem com o clima de informalidade que o bar tem. Aproveitando que se está no Santa Tereza, poderá ir ao Parque das Ruínas, aproveitar a vista, percorrer as ruínas e visitar as exposições, e ainda o Museu Chácara do Céu, ao ladinho do Parque das Ruínas

Playlist!

spotify

Rio de Janeiro e Carnaval é uma venda casada, mas muito da folia acontece fora da Sapucaí, nos blocos de ruas. Um dos mais famosos é o Bloco do Sargento Pimenta, uma analogia ao cd dos Beatles – Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. O bloco desfila ao som de Beatles pelo Bairro do Flamengo. Aqui está o Spotify deles.

Escrito por

Gaúcho, Santa Mariense, Arquiteto e Urbanista que um dia foi anarquista.

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