Bem como deveria ficar

O desenho é uma método de expressão que possui caráter de linguagem universal. Assim, através de pontos, linhas, preenchimentos e manchas, o artista ou desenhista comunica-se com quem enxerga o desenho. Para arquitetos essa forma de expressão é primordial para se fazer entender com clientes e executores. É com plantas baixas, cortes, detalhamentos, vistas e perspectivas que demonstramos e por vezes antecipamos o resultado do nosso projeto, é a ligação entre projetista, executor e futuro usuário do projeto.

Até o final do século passado, a melhor forma de desenho de apresentação para clientes e sociedade tinha pouca mobilidade e precisava de um tempo longo para ser elaborado, era feito a mão. Podemos dizer que existem alguns tipos básicos de desenho à mão para representação de projetos de arquitetura: o Croqui, que serve para um lançamento básico da ideia, o desenho de conceito, onde o croqui fica mais elaborado e com mais detalhes e pontos dos projetos, e por fim as perspectivas, que costumam procurar um realismo maior, com ponto de fuga e muitas vezes na altura do observador.

Hoje esse tipo de desenho ainda é, e deve continuar sendo, ensinado nas faculdades de arquitetura. Tal ensino dá a possibilidade de intimidade do estudante com o preenchimento do papel em branco, seja com riscos, cores, desenhos, entre outros. É uma forma de desenvolver sensibilidade artística, algo fundamental na nossa profissão. Porém, apesar do largo ensino desse tipo de desenho, poucos são os arquitetos recém formados que usam essa ferramenta. Com o avanço dos instrumentos de desenho no computador, ela ficou, de certa forma, com uso reduzido.

Croqui do Livro Desenho de Arquitetura – Técnicas e atalhos que usam Tecnologia – Jim Leggitt
Perspectiva do Livro Desenho de Arquitetura – Técnicas e atalhos que usam Tecnologia – Jim Leggitt
Perspectiva do Livro Desenho de Arquitetura – Técnicas e atalhos que usam Tecnologia – Jim Leggitt

O desenho auxiliado pelo computador não faz milagre ou trabalha sozinho, ele exige sensibilidade e habilidade do desenhista e, assim como o desenho a mão, muito treino e atualização. É imprescindível entender o desenho à mão e sua lógica de linhas e preenchimentos para poder produzir com qualidade e clareza representações no computador. As vantagens do desenho no computador são imensas, além da possibilidade de impressão em várias escalas, você pode, com as ferramentas corretas, praticamente construir a edificação no computador.  Esse conceito ainda está longe de ser largamente utilizado, porém a concepção da edificação e dos espaços em três dimensões já está no currículo de quase todos estudantes e recém formados da área. Com programas como SketchUp, AutoCad e 3D Studio MAX, o estudante ou profissional pode se fazer entender claramente, dando uma noção espacial e produzindo uma mobilidade de volumes e cores quase que instantânea.

Não quero falar de programas e avanços que permitem obras de Frank Ghery e outros, acho importante pensar na nossa escala, na prática profissional da maioria dos arquitetos brasileiros. A representação em três dimensões é fundamental desde a hora de vender um apartamento, no qual o comprador não é o cliente do arquiteto e sim da construtora, e sempre quer saber “como vai ficar a frente?”; até o momento de elaboração de um projeto de interiores, mostrando onde ficariam os rebaixos de gesso, pontos de luz, painéis e revestimentos.

Além de permitir estudos mais exatos e pertinentes para os profissionais, o uso de representação em três dimensões permite um entendimento muito mais claro por parte dos futuros usuários, os clientes, que muitas vezes não possuem a noção espacial que os profissionais aprenderam a ter. Isso permite uma comunicação entre profissional e cliente não vista antes, facilitando aprovações, exigências e desgostos facilmente. Outro ponto importante da representação em três dimensões é a fidelização do projeto. Quando o desenho já foi mostrado, entendido e aprovado, o cliente tem uma real noção de como vai ficar a obra, sem surpresas que podem ocorrer quando se vê somente representações em duas dimensões.

Abaixo seguem algumas imagens de representação do projeto aprovado pelo cliente e as fotos do próprio stand da Clínica Radiológica Caridade – DIX – pronto para a FEISMA 2011. A sequência ilustra a ideia atual de apresentação de projetos.

Talvez antigamente após a obra concluída o cliente podia satisfatoriamente falar “bem como eu imaginava”, enquanto hoje, com a fidelização de um 3D, podemos pensar mais em  “bem como deveria ficar”.

Aqui segue uns blogs de quem faz ilustrações a mão, é impressionante, além de algumas outras ilustrações a mão

http://marcosjesseperspectiva.blogspot.com.br/

http://ebbilustracoes.blogspot.com.br/

http://www.katafangaisland.com/infrastructure-architectural-drawings.php

http://www.ci.santa-maria.ca.us/LibraryDrawings.html

2 comentários em “Bem como deveria ficar

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  1. A proximidade entre os desenhos em 3D e o trabalho final impressiona. Seria interessante para vocês, arquitetos, se as empresas que fornecem os móveis (não customizados) oferecessem também os respectivos modelos 3D para facilitar o processo ou isso não chegaria a influenciar o processo? Excelente texto, Guilherme. Abraço.

  2. Tem algumas empresas que já fazem isso, como a Deca que tem um gerenciador de seus produtos – http://www.deca.com.br/deca-para-profissionais/decacad/ – o que facilita bastante.
    Seria bom se todas tivessem, facilitaria a nossa modelagem, além de ele servir para que as medidas sejam perfeitamente iguais, aproveitando com uma exatidão maior o espaço na hora de projetar e comprando e encomendando produtos que serviriam exato no espaço. Porém acredito que existem alguns entraves. O primeiro é que iria acrescentar um custo para os fabricantes, que não imagino que existe um retorno para eles, que esse diferencial ira influenciar na aquisição final do produto. Outro ponto é que costumamos pegar ou fazer modelos genéricos que só demonstram um sofá ou um armário, usando um modelo de dimensões e aparência similar ao que pretendemos usar na execução, depois olhamos nas lojas e fornecedores,comparamos custos e não necessariamente escolhemos o modelo da empresa, o que pode ser um desestimulo por parte das empresas para esse custo.
    O brabo é que a maioria das empresas de móveis possuem projetos em três dimensões, só não libera e distribui. Uma ponto que dificulta também é que existem muitos programas e a empresa precisaria lançar em um formato trunfo, provavelmente só modelado em 3d, deixando para os profissionais importar e colocar texturas no seu programa preferencial.
    Acho que poderíamos pensar em uma escala diferente de projeto dessa maneira, já estamos tentando fazer isso, estamos fazendo um projeto pela internet, que são moveis comprados, onde olhamos as dimensões e fazemos modelos e imagens e ajudamos a escolher em lojas online, demonstrando em imagens e plantas a distribuição, cores, revestimentos e outros. Porém não foram dispensadas 2 visitas até então, alguns detalhes é preciso escolher ao vivo ainda.

    Valeu pela leitura e que bom que gostou.
    Abração tchê

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