O Parque Itaimbé precisa ser protagonista

O Parque Itaimbé é o que temos para chamar de parque em Santa Maria,  além disso é a maior área de lazer no centro da cidade, porém isso não significa que é uma prioridade na administração pública. Minha história de carinho pelo Parque começou tardia, somente na faculdade o descobri. Meu colega Lucas Figueiredo Baisch morava em um condomínio na esquina da Rua Pinheiro Machado com a Av. Itaimbé,  um dia resolvemos dar uma volta ali. Aos poucos nos acostumamos a tomar mate à tardinha nas mesas de damas e xadrez próximas à Av. Dores, que hoje já estão todas quebradas, e o hábito perdurou por anos na faculdade. O mais impressionante é que convidávamos pessoas para tomar mate lá e elas também sentiam-se descobrindo uma área da cidade. O parque teve um impacto tão positivo que  acabou chegando ao meu TCC, no qual o Parque Itaimbé foi o tema. 

O Parque Itaimbé possui quase 5 hectares distribuídos em pouco mais de 60 metros de largura, uma linha sobre o arroio itaimbé. Ele é fruto de uma época sanitarista, onde se cobrir córregos para dar lugar à avenidas e/ou espaços públicos era algo comum.  A primeira ideia era utilizar o espaço do parque para fazer a ligação viária (com uma grande avenida) entre a estação rodoviária (hoje mercado rede vivo) com a estação ferroviária (GARE). Que bom que não rolou né! Os viadutos facilitariam a comunicação entre a malha viária da cidade e a nova avenida, por isso o gabarito das pontes, quase todos maiores que as vias existentes. E aqui é o ponto que eu queria chegar: as pontes e os viadutos. Eles foram feitos para o trânsito e utilização primordialmente de veículos e não de pessoas, são ferramentas de conexão péssimas,  principalmente para os pedestres, não possuem rampas e faixas de segurança, além de as calçadas serem inadequadas, pois fazem poucas ligações com o Parque. E por último, os viadutos (pontes) fazem a cidade cruzar o parque por cima, simbolicamente ignorando a maior área de lazer pública do centro da cidade. Talvez por isso tenha me sentido descobrindo ele quando fui usufruir pela primeira vez, porque ele realmente é ignorado.

O parque não recebe investimentos decentes há tempos, e em épocas de dinheiro curto, não quero nem imaginar os belíssimos trabalhos elaborados nas faculdades de arquitetura,  que provavelmente vão exigir dezenas de milhões para serem implantados, quero ser pontual nas sugestões! Algumas mudanças drásticas precisam ser feitas nas conexões, nas pontes, o Parque precisa “subir” à elas, o parque precisa ser notado, ele precisa subir a ponte e fazer delas itens integrantes do mesmo.  As pontes no geral são mais largas que as vias (um sonho de alargamento viário), e talvez esse espaço possa ser explorado. Imagino que o parque precisaria, para começar, um investimento de uns 5 milhões, mas isso não vai acontecer tão cedo (imagino).

Então, na prática, o que podemos fazer para que uma parcela das pessoas encontrem o parque e fiquem no centro ao invés de pegar 10 km de estrada para ir à UFSM nos finais de semana?

Na minha opinião, que já ficou clara, o começo da valorização passa pelas pontes, pelos viadutos, pelo melhor uso e integração que pode ser dado a elas. O resto, com um mínimo de manutenção, já melhora bastante e consegue ficar legal ainda. A proposta é começar a fazer propostas simples por onde passo e noto que um pouco de investimento já poderia mudar o cenário. A ponte da Tuiuti é a que mais circulo, principalmente quando decido ir caminhando ao escritório, e por isso começo por ela.

Ponte Tuiuti

A ponte da Tuiuti é exageradamente larga, o fluxo de pedestres e carros não são naturais, e seus trajetos precisam ser refeitos. O pedestre nem circula pela calçada e o carro não utiliza toda a largura da ponte, mesmo com estacionamento oblíquo dos dois lados. Não há uma clara indicação de travessia de pedestre, e as vagas de estacionamento ficam um pouco perdidas na conexão entre viaduto e via.

 

A conexão com o parque é minuscula e discreta, são calçadas estreitas e nos cantos. Uma nova conexão pode ser facilmente feita, em direção à norte (direita do fluxo de veículos) com rampas e escadas, isso criaria um novo acesso, chamaria a atenção do transeunte. Com relação ao outro lado, o esquerdo pelo fluxo de veículos, ele precisaria de uma nova calçada, que mantenha o fluxo de pedestre contínuo (no alinhamento das calçada do restante da Tuiuti), sobrando ainda espaço para o estacionamento oblíquo. Neste lado, onde o espaço é grande, poderia ter uma opção de quiosque ou área de refeições, podendo ser da pizzaria da esquina ou de outro estabelecimento, algo que dê utilização ao espaço além de vagas de estacionamento, com iluminação e áreas de estar.

Dar diferentes usos e ocupar o lugar são soluções que incrementam a segurança e o sentimento de pertencimento.  E vamos combinar que é uma ganho incalculável perto de perder 3 ou 5 vagas de estacionamentos. Afinal, estacionamento é um subsídio público a um bem privado.

Croqui - Tuiuti - original
Foto retirada do Google
Croqui - Tuiuti - proposta
Possibilidades de intervenção

O fluxo de carros não seria desfeito, afinal com estacionamento dos dois lados ao longo de toda a Tuiuti, poucos se atrevem a fazer duas pistas de circulação, e o trânsito deve ter uma média de 25 km/h. Um novo conjunto de travessias poderias ser feito, englobando uma faixa elevada entre a esquina da pizzaria e o espaço que poderia ser o deck dela (ou ainda ter um foodtruck) e uma nova faixa elevada transversal à ponte que daria opção de acesso ao parque pela nova área de interação. Ainda poderiam ser criados canteiros com vegetação, para ela realmente subir a ponte e troca de guarda corpo, para um mais agradável.

Essa é só uma ideia que surgiu enquanto caminhava na ponte, acho que deve ter outras e melhores, mas para mim o crucial é pensarmos em alternativas de intervenções relativamente simples enquanto um volume grande de recurso não contempla o  parque.

Aliás, um bom começo também seria pensar em remover ou remodelar as edificações abaixo das pontes, que só criam espaços de afunilamento, insegurança e sujeira. Mas aí é outra história.

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