Verticalização e densidade em Santa Maria

Desde o anúncio da Construtora Jobim sobre a intenção de construir o edifício mais alto do estado em Santa Maria, muito se falou sobre verticalização e sobre como nossa cidade cresce. Como secretário, arquiteto e urbanista, gostaria de compartilhar algumas reflexões sobre o tema.

Durante décadas, os edifícios das décadas de 1960 e 1970 — como Taperinha, Pampa e Província — dominaram a paisagem urbana. Por cerca de 40 anos, nenhum empreendimento superou essas alturas, refletindo o vigor do mercado imobiliário daquela época. Somente a partir dos anos 2000, com o Royal, e mais recentemente nos últimos cinco anos, novos empreendimentos começaram a ultrapassar esses marcos, mostrando a força econômica da construção contemporânea.

Mas é importante compreender: a verticalização em si não é o que mais impacta o planejamento urbano. O que realmente importa é a densidade: quantas pessoas por hectare ou quantos moradores um edifício comporta. A densidade define a dinâmica da cidade. Quanto mais espalhada, mais difícil de gerir, mais caro se torna o transporte, em tempo e dinheiro, e maior é o esforço para manter a infraestrutura funcionando adequadamente.

Cidades densas têm vantagens claras: ruas vivas, praças ativas, transporte eficiente e serviços próximos. Exemplos internacionais, como Barcelona, Paris e até bairros como Copacabana, mostram que a alta densidade otimiza o uso do solo e da infraestrutura, facilita a mobilidade e reduz a dependência de transporte movido a petróleo.

Valorizar a densidade não significa liberar construções indiscriminadas. Significa permitir que terrenos já atendidos por esgoto, água, energia e próximos a serviços e empregos sejam ocupados com eficiência. Mesmo assim, grandes empreendimentos precisam cumprir exigências como cartas de viabilidade de concessionárias, estudos de impacto de vizinhança e de trânsito, e implementar medidas derivadas desses estudos.

Sobre a especulação imobiliária, é natural que empresários busquem otimizar recursos em terrenos que ofereçam maior margem de lucro. Isso não acontece apenas na construção civil: em qualquer setor, a lógica de mercado é a mesma. Vilanizar empreendedores que constroem moradias seria ignorar essa realidade econômica.

Por fim, para que Santa Maria seja uma cidade mais sustentável, acessível e igualitária, precisamos apostar em mais densidade. Ela permite otimizar recursos para qualificar os espaços públicos — calçadas, arborização, praças e parques — sempre dentro de uma nova dinâmica urbana de resiliência. O objetivo é que todos morem com segurança e tenham fácil acesso a serviços, lazer e empregos. Cidades densas e bem planejadas são cidades mais humanas, verdes e agradáveis para todos.

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Escrito por

Gaúcho, Santa Mariense, Arquiteto e Urbanista que um dia foi anarquista.

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