Resiliência Urbana: O Caso de Uruk e Porto Alegre

Comecei a ler um livro fascinante sobre cidades, é o livro “Metrópole” de Ben Wilson. Logo de cara ele fala bastante sobre Uruk, a primeira cidade conhecida na história da humanidade, formada por volta de 7 mil anos atrás, localizada na antiga Mesopotâmia. Uruk foi também umas das primeiras cidades a enfrentar os desafios devastadores das mudanças climáticas, que, depois de milhares e anos de existência, sofreu com o aquecimento da região e o recuo do mas do Mar do Golfo Pérsico. Com esse recuo, sua abundância de água e seus pântanos, onde se tinha produção agrícola, secaram. Isso, junto com outros fatores fizeram a cidade virar história, depois de 5 mil anos de existência. Este episódio histórico me fez refletir sobre o que ocorre atualmente no nosso estado, e principalmente nas cidades devastadas pelas chuvas aqui no estado, como Porto Alegre. 

Porto Alegre, assim como muitas outras metrópoles contemporâneas, não tem a opção de ser abandonada. Nossas cidades, maiores e com uma sociedade mais complexa, detém mais informação e recursos tecnológicos do que Uruk jamais poderia ter sonhado. Contudo, isso não nos torna imunes aos impactos das mudanças climáticas. A resiliência das cidades modernas depende de nossa capacidade de adaptação e inovação frente a esses desafios.

Ao observar a história, vemos que a resiliência urbana sempre esteve ligada à capacidade de adaptação às condições ambientais e sociais em constante mudança. A resiliência também se manifesta na capacidade de uma cidade em se reinventar. As cidades não são estáticas; elas são organismos vivos que evoluem com o tempo. Porto Alegre  se reinventou muito nos últimos anos, e esse desastre, deve ser mais um condicionante no planejamento, na visão de futuro da cidade. A comunidade e a participação cidadã são igualmente fundamentais. Uma cidade resiliente é aquela em que os moradores estão engajados e ativos na construção do futuro urbano. 

Além disso, é crucial reconhecer a interdependência entre a cidade e seu entorno. O conceito de resiliência urbana não pode ser limitado aos limites municipais. Devemos considerar as áreas rurais, as cidades adjacentes, os corpos d’água e os ecossistemas que suportam a vida urbana. A gestão integrada e a cooperação regional são vitais para enfrentar desafios gigantes que se apresentam.

Em última análise, a resiliência das cidades modernas, como Porto Alegre, é um reflexo de nossa capacidade coletiva de aprender com o passado e adaptar-se para o futuro. Não subestimamos o clima, as mudanças, o globo como ser vivo, se adapta, e uma pequena adaptação dele pode mudar a vida de toda uma região. Enquanto Uruk sucumbiu às adversidades de sua época, temos a oportunidade e a responsabilidade de criar um futuro mais sustentável e resiliente para nossas metrópoles. Precisamos de uma visão que harmonize desenvolvimento urbano com responsabilidade, garantindo que nossas cidades possam não apenas sobreviver, mas prosperar diante dos desafios do século XXI.

Portanto, ao contemplarmos a história de Uruk e sua eventual ruína, somos lembrados de que a verdadeira resiliência está em nossa habilidade de nos adaptarmos, inovarmos e trabalharmos juntos. Porto Alegre, com sua rica tapeçaria de cultura, conhecimento e recursos, tem todas as ferramentas necessárias para enfrentar os desafios climáticos e para construir um futuro resiliente. O caminho para essa resiliência passa pela união de esforços, a busca incessante por soluções sustentáveis e o compromisso de cada cidadão em fazer parte dessa transformação, seja construindo ela ou cobrando que as mudanças sejam implementadas em todas as esferas.

Veja um pouco mais da arquitetura aqui.

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Escrito por

Gaúcho, Santa Mariense, Arquiteto e Urbanista que um dia foi anarquista.

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