Uma arquitetura que englobe as crianças

Ao testemunhar a curiosidade e a alegria estampadas no rosto do meu filho enquanto ele se debruçava sobre a janela, na altura dos seus olhos, fui levado a uma reflexão sobre a falta de consideração que temos em relação à arquitetura voltada para as crianças. Parece que, muitas vezes, trabalhamos no automático, durante o processo de projeto, esquecendo-nos de considerar outros pontos de vista, como o das crianças.

É indiscutível que a cidade e a arquitetura têm o potencial de criar experiências enriquecedoras para as crianças. Desde a altura das janelas até as características das calçadas e rampas, cada detalhe pode influenciar significativamente a forma como os pequenos interagem com o ambiente ao seu redor.

Existem diversas referências e textos falando sobre o assunto e como isso é importante. Uma ação básica é incluir esquadrias posicionadas em alturas acessíveis aos pequenos, permitindo-lhes desfrutar de uma visão privilegiada do mundo exterior sem depender da ajuda dos adultos. Ou ainda, dentro da mesma temática, uma sacada com peitoril baixo, com proteção é claro, mas que permita ao pequeno usuário ver a rua e a cidade.

Além disso, as calçadas e rampas não devem ser concebidas apenas como espaços funcionais, mas também como locais que proporcionam experiências sensoriais e lúdicas. Esses elementos podem ser projetados de forma a atender às necessidades das pessoas com deficiência, ao mesmo tempo em que oferecem um percurso agradável e estimulante para as crianças. 

É importante ressaltar que a arquitetura inclusiva não se resume apenas a adaptar espaços físicos para atender às necessidades dos que precisam. Ela também envolve a criação de ambientes que estimulem a criatividade, a exploração e a interação social, contribuindo para o desenvolvimento integral dos pequenos, e até da gente como adulto mesmo.

Ao considerarmos os benefícios de uma abordagem mais inclusiva na arquitetura, torna-se claro que todos saem ganhando. Não se trata apenas de proporcionar uma experiência mais agradável para as crianças, mas também de criar cidades mais humanas, acolhedoras e acessíveis para todos. Portanto, é fundamental que projetistas, incorporadores e construtores acrescentem a perspectiva das crianças em seus projetos e empreendimentos. Isso vai gerar um espaço que convida a criança a interagir com o meio físico,  sair das tão viciantes telas e criar espaços que sejam interessantes para ela interagir fora de casa. 

Aqui na LP arquitetos, já projetamos peitoris baixos, entendendo como o usuário vai enxergar pela janela, desde nossos primeiros projetos. Além disso, buscamos criar rampas de acesso de PCD que sejam mais legais que os caminhos principais de pedestre. Claro, tudo sempre com a responsabilidade que as normas exigem.

Veja mais sobre o assunto

Veja aqui 10 estratégia para fazer das cidades lugares melhores para nossas crianças

A participação das crianças na construção da cidades

A participação da criança na construção de cidade humanizadas

Avatar de Desconhecido

Escrito por

Gaúcho, Santa Mariense, Arquiteto e Urbanista que um dia foi anarquista.

Deixe um comentário