No mês passado estive no Uruguai, em Montevidéu e Punta del Este, e na Argentina, especificamente em Buenos Aires. Uma das coisas que me chamou atenção, talvez por que a família toda estava com três crianças em idades diferentes, foram os espaços públicos, principalmente pracinhas e playgrounds.
O Uruguai a gente sabe como é, parece que as edificações são todas um pouco mais velhas, mas mesmo assim as cidades são mais organizadas, com calçadas largas, boa caminhabilidade, e bons espaços urbanos públicos. Mas o surpreendente foi Buenos Aires, na Argentina, que apesar de estar em uma crise sem precedentes, continua com uma qualidade urbana rara de ver aqui no Brasil, quem dirá nas pequenas cidades como Santa Maria.
Em Montevideo, ficamos no bairro Punta Carretas e pertinho do hotel tinha um parque/praça, chamado de Parque VIlla Biarritz, que possui uma pracinha de bairro com brinquedos fora do tradicional que vimos aqui. Amplo espaço para correr, balanços para mais de uma idade, espaço cercado para não ter cachorros e com árvores, sombras e bancos para que os usuários adultos também se sentissem à vontade. Um espaço excelente!





Já em Buenos Aires, ficamos em Palermo Soho, uma região rica e boêmia, o que talvez explique a qualidade dos espaços urbanos, das calçadas com restaurantes que se comunicam com ela, dos parklets que tomam as vagas de estacionamento e dos cruzamentos, que por vezes eram elevados, o que denota alguma preferência ao pedestre. Mas o que chamou mais a atenção foi a Plaza Imigrantes da Armênia, que tinha um playground muito legal, desenvolvido em duas ilhas, com brinquedos para idades distintas, ligadas por uma ponte que conecta uma praça à outra através dos próprios brinquedos.
Nossas crianças se divertiram! No espaço tinha balanços com acessibilidade, escorregador que aproveitava o desnível, piso todo emborrachado, balanço para pai e filho irem de frente um ao outro, alguns brinquedos que não tinha visto no Brasil ainda. Fui fazer uma pesquisa rápida e ao que tudo indica foi a prefeitura da cidade de Buenos Aires que fez a reforma. Ou seja, mesmo em um país em crise, parece que a prioridade de investimento foi na praça, nas pessoas e na qualidade de vida urbana. E as praças, calçadas e espaços públicos continuaram de qualidade e seguros em quase todos locais que fomos. Nos sentimos mais seguros ao andar pela rua, mesmo à noite, do que em São Paulo ou Porto Alegre. A vida urbana, incentivada pela qualidade urbana, traz essa sensação.







Achei que ia sair de lá, de Buenos Aires, com pena da população local, mas senti foi uma inveja daquelas calçadas, bares, uso de edificações antigas retrofitadas e com ampliações, e daquelas pracinhas, que deixam qualquer praça que conheci no Brasil para trás. E isso que quando vou à São Paulo também frequento áreas ricas, como Vila Olímpia, Faria Lima, Vila Nova Conceição e Vila Madalena.
Parece meio óbvio, mas é isso, desde aqui em Santa Maria, até São Paulo, a prioridade não são os pedestres, as praças e os parques, porque essas áreas não são usadas pelos tomadores de decisão, assim como eles não andam a pé, bicicleta ou sentam nas praças no final de semana. A população não aprende como esses espaços são da sociedade e deveriam receber a mesma atenção que o asfalto recebe. No fim ainda estamos longe de uma qualidade urbana, algumas cidade estão começando, mas ainda estamos recém engatinhando sobre o tema.
Mais sobre a praça reformada. – https://buenosaires.gob.ar/noticias/la-plaza-inmigrantes-de-armenia-ya-tiene-nuevo-patio-de-juegos